Guerras

A crise dos mísseis cubanos

A crise dos mísseis cubanos

Em 14 de outubro de 1962, um avião espião dos EUA sobrevoando Cuba relatou a instalação de bases russas de mísseis. A imagem (à esquerda) é uma daquelas tiradas do avião espião e mostra claramente reboques e barracas de transportadores de mísseis onde ocorreram o abastecimento e a manutenção.

A corrida armamentista nuclear fez parte da Guerra Fria entre a América e a URSS, que havia começado logo após o fim da Segunda Guerra Mundial. Em 1962, os mísseis russos eram inferiores aos mísseis americanos e tinham um alcance limitado. Isso significava que os mísseis americanos poderiam ser disparados contra a Rússia, mas os mísseis russos só poderiam ser disparados contra a Europa. A colocação de mísseis em Cuba (o único país comunista ocidental) significava que agora os mísseis russos poderiam ser disparados contra a América.

O líder cubano, Fidel Castro, congratulou-se com o destacamento russo, pois ofereceria proteção adicional contra qualquer invasão americana, como a falha na invasão da Baía dos Porcos em 1961.

Ao ouvir o destacamento russo em 16 de outubro, o presidente dos EUA, J F. Kennedy, convocou uma reunião do EXCOMM (Comitê Executivo do Conselho de Segurança Nacional) para discutir quais medidas devem ser tomadas. O grupo permaneceu em alerta e se reuniu continuamente, mas estava dividido entre aqueles que queriam tomar uma ação militar e aqueles que queriam uma solução diplomática.

Em 22 de outubro, Kennedy divulgou a notícia das instalações e anunciou que colocaria um bloqueio naval em torno de Cuba para impedir que mísseis russos chegassem às bases. No entanto, apesar do bloqueio, os navios russos que carregavam os mísseis continuaram a caminho de Cuba.

Em 26 de outubro, a EXCOMM recebeu uma carta do líder russo Nikita Kruschev, afirmando que ele concordaria em remover as armas se os EUA garantissem não invadir Cuba. No dia seguinte, um avião espião dos EUA foi abatido sobre Cuba e a EXCOMM recebeu uma segunda carta de Kruschev informando que os mísseis seriam removidos de Cuba se os EUA removessem armas nucleares da Turquia. Embora Kennedy não fosse avesso a remover os mísseis da Turquia, ele não queria ser visto cedendo às demandas de Kruschev. Além disso, a segunda carta, de tom muito mais exigente e agressivo, não ofereceu uma solução para acabar com o conflito.

O procurador-geral, Robert Kennedy, sugeriu que a melhor solução fosse a segunda carta ser ignorada e que os EUA respondessem a Kruschev aceitando os termos da primeira carta. Uma carta foi devidamente redigida e enviada. Além disso, o embaixador russo foi informado 'fora de registro' que os mísseis seriam removidos da Turquia em alguns meses quando a crise tivesse desaparecido. Enfatizou-se que essa "cláusula secreta" não deveria ser tornada pública.

No domingo, 28 de outubro, Kruschev convocou uma reunião de seus conselheiros. Os russos sabiam que o presidente Kennedy estava programado para se dirigir ao povo americano às 17h daquele dia. Temendo que pudesse ser um anúncio de guerra, Kruschev decidiu concordar com os termos e apressou uma resposta para chegar ao Presidente antes das 17h. A crise acabou. Os russos removeram devidamente suas bases de Cuba e, como combinado, os mísseis americanos foram discretamente removidos da Turquia alguns meses depois.

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